domingo, 24 de abril de 2005

O Papa João Paulo II....

Muito já se escreveu e falou sobre a morte do Papa João Paulo II no entanto, achei que não deveria deixar passar este acontecimento que marcou o mundo, sem que fizesse umas breves considerações...
É inegável que foi a figura mais marcante da época em que vivemos, não tanto pela posição que ocupava mas pela maneira como viveu e se aproximou de todos.
Mas quem foi João Paulo II? Chamaram-lhe o "Papa dos jovens", chamaram-lhe o "Papa da Liberdade", o "Papa do Ecumenismo".... Outros tiveram a infelicidade e o desplante de o apelidarem de retrógrado, mas sobre estes nada vou falar, porque diante de tamanha ignorância e insensatez é impossível e vã qualquer tentativa de elucidação...
Na minha opinião, foi o verdadeiro " pescador de homens", soube, melhor do ninguém, ouvir e aceitar as posições divergentes com que muitas vezes se deparava, sem no entanto nunca deixar de pregar a palavra e a moral cristã! Amava os jovens, inspirava-se e apelava ao dinamismo e coragem que caracteriza a juventude... soube mais do que ninguém aproximar os jovens da Igreja, dizendo-lhes muitas vezes: "Não tenhais medo....".
Foi, de facto, um homem que nos ensinou bastante não só com as palavras que proferia mas também pela forma como vivia! Dando o exemplo, convidou-nos a darmos o melhor em prol da sociedade e do mundo em que vivemos!
Se para aqueles que, perante tudo isto, ainda conseguem duvidar da grandiosidade deste Homem, talvez nada consigam dizer ou rebater diante da comoção que assolou e fez parar TODO o mundo, aquando da notícia da morte do Papa... Não vimos todos no dia 8 de Abril a união, ainda que por pouco tempo, entre estados adversários, entre poderosos inimigos e entre crentes e não crentes? Que conseguirão, agora, conjecturar os incrédulos? Que desculpas irão inventar?
Antes de apontarmos alguma imperfeição (“pois todos somos imperfeitos mas na imperfeição humana podemos sempre buscar a perfeição dos nossos actos”) ou inventarmos uma situação para o diminuir, não será mais útil deixarmo-nos inspirar por ele, pelo que falou e, sobretudo, pelo legado que nos deixou, a sua vida? Ou este é um desafio muito grande?

43 comentários:

HMAG disse...

Antes de tudo, parabéns pelo primeiro post.
Mas principalmente, parabéns pela essência do post em si ... Muito bom!!

Fica feito o Desafio!!!

joanarangel disse...

Estou a ver que já te iniciaste nas blogadelas! e logo a fazer propaganda. não te quero alarmar mas o homem já n pode ser eleito para nada porque já faleceu. lol Bem-vinda bjinhos

Anónimo disse...

parabens pelo blog!espero q seja o inicio de um sitio onde possamos divargar sobre assuntos pertinentes do nosso mundo e do nosso meio... gostei especialmente deste post,os meus parabens a autora. este grande homem que foi o Papa João PauloII merece todo o nosso agradecimento e todas as palavras são poucas para fazê-lo.que as palavras q vimos a multidao clamar no dia do seu funeral se concretizem - "Santo subito", santo rapidamente.

Anónimo disse...

JMS

Anónimo disse...

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Julgo que para analisar a vida de alguém devemos primeiro tentar enquadrá-lo na estructura em que se inseria, naquilo que lhe era pedido, e se as suas atitudes foram dignas daquilo que se apregoa. Espero que sim, mas acho que não... Sinceramente não creio que tenha sido um tão bom pescador de homens como se tem dito, as redes deviam estar laças... Não creio também que estarem todos reunidos à volta dele no funeral seja um bom sinal.. diz-me com quem andas dir-te-ei quem és.
Mas de qq. maneira não terá sido assim tão mau. Parabéns pelo blog
Carlos Rangel

Anónimo disse...

Caro Carlos Rangel:
Desde já quero saudá-lo pelo seu post.
Continuo, principalmente depois do que li no seu comentário, a considerar que João Paulo II foi o homem mais notável dos tempos em que vivemos. Desde logo porque soube enquadrar-se na estrutura em que se inseria - a Igreja Católica. De facto, ele foi o zeloso Pastor de uma Igreja fundada por Jesus Cristo que é católica, isto é, Universal porque aberta a todos os homens, sem acepção de qualquer povo, condição de vida, nação ou raça. Assim cumpriu de forma exímia aquilo que lhe era pedido: ele que era o "servus servorum Dei", governou a Igreja com mansidão e humildade, à semelhança de Cristo, e abriu-se ao mundo, de forma a estabelecer o diálogo entre os povos e entre as diversas religiões. Só por isto considero que as suas atitudes são dignas daquilo que se apregoa. Mas a vida deste Papa foi repleta de muitas outras atitudes (que aqui neste blog já foram em parte mencionadas), coerentes com a mensagem do Evangelho e com a vida do Mestre que sempre seguiu e de quem procurou ser imagem na Terra. (Pode sempre ler alguma biografia de João Paulo II e confrontá-la com os Evangelhos – verá que encontrará muitas semelhanças). Tudo me leva a crer que este homem é, de facto, um santo, isto é, um homem que orientou, através de atitudes a sua vida para uma meta que não se limita a este mundo mas que se encontra numa dimensão que a nossa realidade não é capaz de compreender. Por isso talvez algumas pessoas não entendam a sua postura face ao mundo em que vivemos. João Paulo II foi, ao contrário do que declara, um verdadeiro pescador de homens. Penso que dizer o contrário é querer fechar os olhos à realidade ou não compreender o verdadeiro sentido desta metáfora. Na verdade, tal como Pedro deixou as redes do mar para pescar homens, isto é, para trazê-los até Cristo e lhes dar a conhecer a sua mensagem, também João Paulo II deixou de lado o preconceito e o orgulho para “pescar” homens de todas as condições sociais, económicas e políticas e procurar a aproximação com aqueles que professam outras religiões. Penso que ninguém como ele, sem impor nada a ninguém, propondo apenas uma mensagem - o Evangelho de Cristo – conseguiu mover tantas massas, gente de todas as idades e condições sociais. Não partilho da sua opinião, mais uma vez, quando refere que não vê com bons olhos o facto de estarem todos reunidos no seu funeral. Sim, na verdade, mais uma vez estavam lá homens e mulheres dos mais variados quadrantes, que por vezes têm tomado decisões erradas, que têm gerado conflitos, os quais este Papa nunca teve receio de condenar. Mas até esses homens, apesar de tudo, não tiveram medo de reconhecer a grandiosidade de João Paulo II e quiseram assim mostrar-lhe a sua gratidão. Apenas concordo consigo quando diz: “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és” – sim, João Paulo II sempre andou com todo o tipo de pessoas, tal como Cristo. Procurou sempre dar a conhecer a todos sem excepção a mensagem do Salvador: “eu não venho para os sãos e para os justos, mas para os pecadores e doentes”. De facto, este Papa transmitiu a todos, mesmo aos maiores pecadores, uma mensagem de esperança e nunca excluiu ninguém da possibilidade de se encontrar com Cristo. O Catolicismo não é a religião dos homens perfeitos e puros, mas a religião daqueles que, apesar das suas falhas e dos seus erros, sabem reconhecê-los e lutam em cada dia por assemelharem a sua conduta com a vida do Mestre que é Cristo. De facto não foi mau; foi mesmo muito bom o exemplo deste católico que pode ser uma preciosa ajuda para aqueles que em cada dia procuram ser um pouco mais cristãos.
Mais uma vez parabéns pelo blog, que nos permite estas conversas amistosas. peço desculpa pela extensão do post.
João Silva

Sónia Monteiro disse...

Caro João,
não é post é comment aquilo que tu fazes, o post é o texto original, tu fazes é comentários aos meus posts. Certo? lol - são umas dicas da blogosfera, um novo mundo que chegou à tua mente! lol

Subscrevo-te em tudo o que disseste! Em realmente tudo! Refutando, deste modo, o que aponta o Carlos!
Talvez, depois de ler mais alguma coisa, possa acrescentar algo ao que foi dito pelo João.

Anónimo disse...

perdão,cara chefa SPSM. eu nao entendo nada destas coisas,como deve saber, pois e a primeira vez que participo neste tipo de coisas.antes tive de me certificar que não eram coisas do demo.fico muito grato pela sua correcção,tentarei não voltar a meter agua.
João Silva

Anónimo disse...

agradeço que acrescente pois considero este COMMENT incompleto apesar da sua extensão.
obrigado
João Silva

Anónimo disse...

Ainda bem que um simples comment gera tanta controvésrsia..
É bom sinal, é sinal que a mensagem chegou ao destino. Não pretendo que a minha msg seja de deconforto em relação ao catolicismo. È apenas uma questão de o pensar, já há poucas pessoas a fazê-lo, espero ter a qualidade para o fazer. Agora quanto á msg, este Papa não foi de certeza a figura do século, esperemos que tenha cumprido o seu papel, eu acredito que o tenha feito, embora nem sempre no papel que lhe foi confinado pelos seguidores da fé. Um homem tem vários caminhos à escolha e escolhe aquele que pretende seguir, eu não me identifico com ele, julgo o cristianismo, e mais especialmente o catolicismo como um caminho privado não ao alcance de todos. "Apenas o meu caminho leva à salvação..."
Não´são as intenções que levam à salvação, são os factos que realmente levam a um destino "perfeito"...

Carlos Rangel

Anónimo disse...

Caro Carlos Rangel,
Fico contente por termos a possibilidade de,abertamente, discutirmos neste blog os nossos pontos de vista.
Que o Carlos Rangel não reconheça João Paulo II como a figura do século tem todo o direito de o fazer e respeito muito a sua opinião.Não posso,todavia, concordar com as suas afirmações subsequentes,como católico que sou.
É verdade que Deus nos concedeu o livre arbítrio de seguirmos ou não o seu Caminho,de acreditarmos ou não que Ele tem um projecto de salvação para nós. E só nós,através da nossa conduta,das nossas atitudes somos responsáveis por enverdarmos por esse caminho.Neste ponto concordo que o catolicismo seja,em parte,um caminho privado,na medida em que consiste também numa caminhada interior de cada crente.Porém,dizer que esse caminho não está ao alcance de todos penso que é um erro.E não digo isto por mim, mas baseio-me no Evangelho,no qual se funda todo o Cristianismo e a própria caminhada interior de cada um,de que falei.Muitas vezes,ao longo dos Evangelhos,vemos Jesus a ensinar que o Seu Reino está aberto a todos principalmente aos humildes,aos simples,àqueles cujo coração não está agarrado as coisas do mundo terreno e não a qualquer elite.Jesus,antes de subir ao Céu, propôs aos seus discípulos que fossem por TODO O MUNDO e ensinassem a TODOS OS POVOS a salvação(cf. Lc 16, 15).Daqui depreendo,desde logo,que Jesus não pretendeu excluir ninguém do seu projecto.
Concordo porém quando refere que não são as intenções que levam à salvação.Sabemos que podemos ter um coração muito bom,com muito boas intenções,mas se não as pusermos em prática de nada valem (cf. Lc 7,46-49).Contudo não considero que sejam os factos (como diz) mas antes os ACTOS,a conduta de vida que nos levarão a um caminho de salvação.
Mas além do caminho privado,o Catolicismo tem,principalmente, que ser vivido em comunidade,caso contrário deixa de fazer sentido.Eu não posso contentar-me em viver a minha religião e em progredir no meu caminho de salvação e descurar a importância que é viver esse caminho numa comunidade e partilhá-lo com os outros.Por isso é que os cristãos se encontram todos os domingos para,em comunidade e na mesma Fé,celebrarem a Eucaristia.Como membros de um mesmo Corpo que é Cristo,sendo nós os vários membros,não podemos viver uma religião fechada,individual,mas temos de,cada um com a sua especificidade,caminhar numa só Fé para a salvação.Se assim não for não há Cristianismo.
Confesso que não compreendi o quer dizer com o que chama «destino "perfeito"» e agradecia que me clarificasse.E já agora queria lançar uma questão,se me puder responder: Quem são afinal aqueles dos quais o Cristianismo não está ao alcance?
João Silva

Sónia Monteiro disse...

Caro CDR,

Diz assim no seu segundo comment:
"e mais especialmente o catolicismo como um caminho privado não ao alcance de todos." -
lamento mas discordo completamente de si e lamento que tenha esta opinião acerca do catolicismo. Entendo que o seu catolicismo é diferente do meu ou, então, e isto seria bem melhor, exprimiu-se mal!
Todos fomos criados pelo mesmo Pai e todos somos seus filhos, o que acontece é que alguns desses filhos renegam o seu Pai e Criador! E isso magoa bastante a Deus.... Relembro-lhe a parábola do filho pródigo a este respeito.

O catolicismo é a " Casa de Deus" na terra, é o Caminho (é assim que o vejo)... Está aberto a todos mas só o escolhe quem quer, temos que ser nós a decidir , a usar a liberdade, o livre arbítrio que Deus nos concedeu... Muitos não escolhem esse caminho, é certo mas não foi a Igreja que se fechou,ela continua lá...

Quanto a João Paulo II, ele faz-me lembrar uma passagem bíblica que diz mais ou menos o seguinte: o bom pastor é aquele que deixa todo o rebanho e vai à procura da ovelha que se perdeu... Recorda-se desta passagem bíblica? Já a leu? O que entendeu com isto?

Obrigado por participar no meu blog!
Saudações bloguistas!

Anónimo disse...

Acho muito bem que vá à procura da ovelha tresmalhada (julgo ser esta a palavra de que andava à procura), agora, que vá à procura da ovelha do seu rebanho, que anda muito mal dirigido... Andar à procura das ovelhas dos outros é que eu considero totalmente errado...!!! Quando lhe digo isto cara spsm, pretendo dizer que não é a passar a mão no pêlo dos comunas, nem a fazer visitas turísticas a Auschwitz confirmando uma falsidade que o próprio Vaticano sabia estar a ser divulgada como provam algumas cartas pontifícias do então papa, assim como outras viagens "ecuménicas" a Jerusálem para prestar vassalagem a indíviduos que segundo as palavras do NOSSO verdadeiro Pastor (não sei se dele) são tumúlos caiados, raça de cães danados... entre outros adjectivos verdadeiramente elogiosos... São então estas as ovelhas tresmalhadas??? São então estes os grandes actos (caro João) que este papa teve a proeza de intentar???
Quando falei num caminho não ao alcance de todos, pensei que iriam chegar lá... :(
Falo claramente dos líderes, daqueles que apelidamos de pastores, daqueles que estudam a Boa Nova e aquilo que Ela implica.
O Cristianismo É PARA TODOS, o catolicismo É PARA TODOS, ser um pastor e pensá-lo, e ter a fé, a força, a caridade e a determinação para pensar e dirigir os fieis pelo caminho do Nosso Senhor é que não é para todos, apenas para alguns muito poucos, Aqueles que se preocupam com o seu rebanho e com as suas ovelhas, não com as dos outros...

Carlos Rangel

P.S. Comecei a tratá-los na 3ª pessoa pois pelos vistos os senhores querem fazer disto uma prática comum, fazendo-o cmg... Deve ser mais fino... Sendo assim despeço-me esperando não ser escomungado nos próximos tempos

Anónimo disse...

Caro Carlos Rangel
Realmente continuo a achar que temos visões muito diferentes, quer da Igreja, quer da mensagem de Cristo. Não pretendo aqui arvorar-me em dono da verdade. Todavia, apoiado (no pouco que conheço) na doutrina de uma Igreja que se quer adequada aos nossos tempos,de forma a responder às necessidades do mundo actual sem nunca, porém, se afastar do seu Mestre que é Cristo, gostaria de apresentar a minha visão desta realidade.
De que outros rebanhos esta a falar se todos somos filhos do mesmo Deus e por Ele fomos criados?Todos são chamados à perfeição; por isso, apesar de haver várias religiões, todos pertencem a um mesmo rebanho. O diálogo que João Paulo II estabeleceu com judeus (ou com outras religiões) pautou-se sempre por um respeito pela diferença,por uma atitude de tolerância(que tanta falta faz neste mundo). O facto de se dirigir a Jerusalém foi para mim um acto de profunda humildade,de compreensão, bem ao estilo de Cristo, de reconhecimento de erros, de encontro com os nossos "irmãos mais velhos na Fé", com aquela religião que mais próxima se encontra de nós. Daquela religião que José e Maria professaram e onde Cristo cresceu e foi educado. Assim sendo,temos todas as razões para nos aproximarmos desse povo.
Em relação aos “túmulos caiados”,penso que tem discernimento suficiente para compreender que Cristo,
ao proferir essas palavras (como ao longo do Evangelho encontra exemplos idênticos)não quis dirigir-se aos judeus,ou aos fariseus em especial.Pelo contrário,falou para os homens daquele tempo (e do nosso também) que vivem uma religião superficial,sem procuraraem em cada dia a perfeição,olhando apenas a formalismos,a coisas exteriores,sem se preocuparem com o seu interior. Não é bom fazermos interpretações das Escrituras a nosso bel-prazer, pois corremos o risco de entrar nesses fanatismos que caracterizam as seitas que por aí proliferam…
Quanto aos “lideres”, sinceramente não gosto de utilizar essa palavra no âmbito da Igreja Católica.Vejo os nossos pastores(padres,bispos,Papa)como homens que caminham ao nosso lado e que consagraram a sua vida ao serviço dos outros.Não os vejo como lideres, porque para mim isso tem uma conotação de desigualdade. Em Mt 20, 25-28 está muito bem explicada a ideia de Autoridade na Igreja - «Quem quiser fazer-se grande entre vós seja vosso servo».Cristo veio para servir,e dar a vida todos.
O caminho do serviço aos fiéis está aberto a todos aqueles que de coração livre e disponível consagram a sua vida a Cristo.Poucos são os que seguem esse caminho,é verdade,mas ele continua aberto a todos…E um só é o rebanho, porque judeus,muçulmanos,budistas,ateus,católicos todos somos filhos do mesmo Deus,embora cada um o veja de maneira diferente. Cristo a todos,sem excepção, propõe um Caminho…
João Silva
P.S. espero que continue a expor as suas ideias que aqui nao ha excomunhao!

Anónimo disse...

Gostaria de referir ainda outro aspecto, caro Carlos Rangel. O estudo da Boa-Nova não está restringido ao "lideres" (como apelida os nossos pastores).
Pelo contrário,todos os cristãos deveriam preocupar-se em estudar e aprofundar os conhecimentos´das Escrituras. Penso que esse é um dos grandes problemas que atinge os católicos e que por vezes leva à vivência de uma religião muito superficial.
João Silva

Anónimo disse...

"Vós sois filhos de um pai que é o diabo e quereis cumprir os desejos de vosso pai"Jo 8-64
Irmãos só se for da fé deste papa (com minúscula), não da minha fé e seguramente não da de Cristo, como o seu contemporãneo (João) o diz. Falava sim para os Judeus, o único povo que conheço capaz de matar um homem que apenas falava a verdade... Olha se isso acontecia aqui, mesmo nos tempos actuais. João, para falares da fé dos Judeus, aconselho-te primeiro a conhecê-la... E acredita, se eles se arrogam um deus só para eles, devias ler, e tentar compreender o porquê de um bezerro de ouro...
Quanto à Igreja de que falo, refiro-me aos cristãos em geral, e áqueles que em Cristo acreditam e que o seguem... esse é o nosso rebanho, porque se mesmo dentro do nosso rebanho há dissenções, se segue doutrinas erradas, os crentes perdem a fé, os países o rumo recto e os doutos da Igreja em Audi's A4, as coisas andam mal, e antes de "partirmos para outra" (espero que desta vez não faças por me interpretar mal), cuidemos do que temos, porque não andam bem as coisas no reino da Dinamarca...
E não me venhas falar da Parábola do Bom pastor, porque esse tinha um rebanho bem encarreirado, e não em risco de se perder...

Carlos Rangel

Anónimo disse...

Grande discussão logo no 1º post!!!! Tanto ouvi uma tesoureira falar no filtragens, que me aventurei a visitar um blog coordenado por uma ultra conservadora católica no qual me arriscava a ver textos que nem ao santo Marx lembrava (sabes que estou a brincar).
SPSM, sem dúvida que o papa João Paulo foi uma figura marcante das duas últimas décadas, mas não "a figura" do século.Reconheço que teve um papel importante nas lides ecuménicas ao reunir várias religiões em seu torno, principalmente com a Igreja Ortodoxa. Como deves saber, sou agnóstico, procuro a minha verdade, não a Verdade, apenas a minha. Infelizmente aterroriza-me que certamente não a conseguirei encontrar. Se calhar, como eu há montes de pessoas espalhadas por este mundo fora. Se há coisa que não contribui para as pessoas se reconhecerem numa religião, são as verdades universais que são apanágio das religiões. Um mundo que, há cerca de 200 anos vive numa era de individualização, cada vez menos se revê nas palavras dogmáticas dos líderes religiosos. Aí discordo contigo quando dizes que o Papa João Paulo II foi um pescador, biblicamente falando, concordando com o que diz o Rangel, as suas redes estavam um pouco laças. Apesar de achar que a religião não me preenche, admiro o papel que ela tem para com as pessoas,nas suas mais variadas vertentes. Como diz o Dalai Lama, qualquer religião é boa, desde que pregue e ensine o bem. Na religião Católica, a 1ª palavra é amai-vos uns aos outros. As pessoas esforçam-se e desgastam-se para tentar cumprir a 20ª ou a 30ª palavra que Cristo nos deixou e esquecem-se de cumprir a mais fácil que é a 1ª
Não tendo sido um comentário teológica e biblicamente bem fundado como os anteriores, deixo aqui o meu modesto contributo para esta discussão. João Paulo II foi um grande Homem, mas nunca a figura proeminente do séc. XX como spsm aqui nos diz. Se pensar ouve tanto líder de movimentos pelos direitos civis nos anos 60, que se não fossem eles não viveriamos como vivemos, e são sempre recordados como meras efemérides.

Um grande Abraço
José Castro

Anónimo disse...

Zé quero,desde já, felicitar-te pelo teu comentário.Embora não te dirijas directamente a mim sinto que,uma vez que tambem tenho participado na discussão,deva partilhar contigo algumas ideias...
E deixando-me agora de grandes discursos,por hoje queria apenas lançar-te uma questão: Será que o primordial mandamento de nos amarmos uns aos outros(e,inerentemente,amar a Deus acima de tudo),no qual se resumem todas as palavras de Cristo,sera realmente como dizes o mais facil de cumprir?
Um grande abraço
João Silva

Anónimo disse...

Caro Carlos Rangel:
Certamente a TUA fé é diferente da minha,o TEU Cristo é diferente do meu e,com certeza,a tua Bíblia é tambem diferente da minha (ou,no mínimo,das-lhe uma interpretação à tua maneira).e quanto a isso nada te posso dizer...
A única coisa que te proponho é que procures conhecer Jesus Cristo, o Filho de Deus, que a Igreja Católica,através dos catequistas,dos pastores que servem o povo de Deus,das Escrituras ou de outros livros,de cada Eucaristia,nos da a conhecer.
Na verdade, este Jesus deixou-nos(como lembrou e bem o Zé no seu comentário)uma mensagem,na qual se resumem todas as outras:«Amai-vos uns aos outros,como Eu vos amei».Se Cristo amou a TODOS,mesmo àqueles que o estavam a matar,que faziam troça dele,que lhe cuspiram na cara,... nós,se acreditamos nele,só temos é que procurar fazer o mesmo...
Será outro o cristo que conheces?Não sei,provavelmente sim, porque para Jesus Cristo,Filho de Deus, somos todos IRMÃOS,seja qual for a nossa condição,raça,credo,nacionalidade,cor,etnia… Porque todos somos filhos do mesmo Pai.

Um grande abraço
João Silva

Anónimo disse...

João,poderá não ser o mais fácil de cumprir (na minha óptica até é) e tento sempre cumprir esse mandamento (apesar de ser de uma dificuldade por vezes enorme, é sempre difícil encarar maneiras de ser e atitudes tão díspares como o número de homens que pisam a Terra)sendo que, para mim ,não o vejo como mandamento, algo imposto por uma autoridade superior, mas algo que me é intrínseco, na medida em que sou um ser humano, com enormes e escabrosos defeitos, mas igual aos outros, não vendo assim qualquer impedimento para amar o próximo, mesmo que à primeira vista me pareça difícil. Para os católicos, amar o próximo, além de ser um mandamento, deve ser encarado como uma alegria, já que Deus é o Criador, logo ao amarmos o próximo (uma criação de Deus) estamos a amar Deus. Haverá melhor forma de comunhão com Deus do que esta? É esta a facilidade e a simplicidade que eu encontro na primeira palavra de Cristo. Não sei se terei sido claro João.

Um grande abraço
José Castro

Anónimo disse...

Zé, foste muito claro e felicito-te pelo teu magnífico comentário, feito por uma pessoa que se diz agnóstica, mas que é uma lição para nós que nos dizemos católicos.
Respondo, desde já, à tua questão: não há efectivamente nenhuma outra forma de comunhão com Deus, senão estarmos em comunhão com os outros.
Porventura a minha pergunta é que não foi muito clara. A dificuldade a que me referia era, na verdade, aquela mesma que tu reconheceste: a de encarar os diferentes feitios e temperamentos das pessoas com que nos deparamos em cada dia. (Mas, por outro lado, ainda bem que não fui muito claro, pois mereci este brilhante comentário…).
É realmente uma grande alegria para mim (como deveria sê-lo para todos os cristãos) procurar em cada dia amar mais a Deus nas pessoas que me rodeiam (apesar das ENORMES dificuldades!), «porque se não amamos os nossos irmãos que vemos, como podemos amar a Deus que não vemos?»
Não há impedimento (pelo menos exterior) para isso,como dizes. Os impedimentos partem,por vezes de nós, quando fechamos os nossos corações à acção do Espírito de Deus que, como acredito, é quem nos transforma e ajuda a ultrapassar essas enormes dificuldades que referimos.
Esta é realmente a primeira palvra/mandamento de Cristo - o mandamento do amor - e nele se resumem todas as outras palavras. Só assim poderemos estar com Deus, unidos a Ele. E só através do amor somos capazes de dar testemunho da nossa fé em Cristo.
Obrigado, mais uma vez por esta grande lição que em muito fez crescer a minha fé e que espero tenha feito crescer também a tua.

Um grande abraço
João Silva

Sónia Monteiro disse...

Antes de mais obrigado, pela tua participação!
Quanto ao teu comment, apreciei a crítica! No entanto, como já devias estar à espera, não posso concordar com ela.
Caro Zé, respeito bastante a tua opinião todavia permite-me lançar-te, agora, uma "questão":
- Quanto às Verdades universais, estas fazem parte de uma religião, por isso, se tornam numa das causas de distinção entre crentes e não crentes, agnósticos, ateus..... Estas Verdades são universais para aqueles que nelas acreditam e não são impostas a ninguém. Contudo, aqueles que crêem nessas Verdades não podem admitir outras realidades; para estes só existe aquela Verdade, podem e devem, no entanto, respeitar quem desta forma não pensa.Para mim, que sou crente, não há relativismo nestes aspectos!
Agora, pergunto-te: é mais fácil acreditar numa verdade ou ausência de verdade feita por nós e à nossa maneira ou acreditar naquela Verdade?

Anónimo disse...

Cara spsm, acompanho vai para algum tempo esta discussão acerca da pessoa que foi o papa João Paulo II. Foi sem dúvida, uma das pessoas mais marcantes do séc. XX, mas, não posso deixar de concordar com o Zé, não foi, para mim, a "figura" do séc. XX.
Contudo, não é isso que me faz colocar aqui este pequeno e modesto comentário, feito com base no meu minúsculo conhecimento sobre religião e sobre verdade, conhecimento esse adquirido empiricamente.
A questão que colocas ao Zé, e desculpa estar a responder a uma questão que não me é dirigida, sobre ser mais fácil acreditar numa verdade própria ou "naquela Verdade", a resposta para mim não pode ser outra, é mais fácil acreditar "naquela Verdade", na verdade universal dada pelo catolicismo.
É mais fácil porque ela quem acredita nela, não necessita de construir uma outra, não precisa de a criticar, não tem de se preocupar como ela surgiu. Basta somente aceit-la e viver de aordo com ela, cumpri-la.
Quem acredita numa: "verdade ou ausência de verdade feita por nós" necessita de fazer tudo isso e muito mais. É necessário construir uma verdade própria, dar-lhe um sentido, criticá-la, notar os seus erros e procurar repará-los. E eis que surge a minha verdade. Mas ela não me servirá de muito pois em breve colocarei novas questões a essa mesma verdade e verei a sua fragilidade, notarei que, se calhar, não é a verdade que procuro. Tentarei buscar uma outra verdade até que se começa a sentir a nossa dificuldade em descobrir a verdade, e como diz o nosso amigo natural de Viana, "Infelizmente aterroriza-me que certamente não a conseguirei encontrar".
Daqui posso concluir ser mais fácil aceitar a verdade universal de como diz o Zé: "procurar a minha verdade". Porque aqui não há dogmas de 2000 anos, não existe interprtações de santos. Aqui há somente a capacidade de cada um ser capaz de descobri a sua própria verdade, e só essa. Sem dogmas nem tradições.
Abraço e parabéns pela discussão
Pedro Teles

Sónia Monteiro disse...

Obrigada pela participação, caro PT! É sempre bem-vinda!
Lamento discordar do que apresentas neste teu recente comment!
Considero ser mais difícil aceitar um Verdade, do que criarmos, nós, a nossa. Penso que é complicado para qualquer pessoa, que faça uso devido do seu intelecto, aceitar uma realidade, para a qual, muitas vezes, não encontra resposta ou justificação e que facil e diariamente é posta em causa.
Trata-se de Fé, caro PT, é esta realidade que nos faz acreditar naquela Verdade e são inúmeros são os obstáculos que a Fé atravessa; fortes são as tentações que procuram derrubar essa Fé, esse acreditar. Muitas vezes, chega a ser difícil continuar aceitar aquela Verdade e muitos vão ficando pelo caminho, ou melhor, abandonam o caminho. Abandonam-no porque preferem ver uma verdade, conforme as suas ideias, posições e disposições, preferem ceder aos obstáculos e, simplesmente, aceitar o que é mais fácil: não acreditar (ausência de verdade)!

Anónimo disse...

Caro Pedro Teles:
Embora te dirijas em especial a spsm, gostaria de participar também nesta discussão. Não pretendo aqui discutir o que é mais fácil ou difícil acreditar porque considero que não é isso que está em causa; falemos antes de ideais, de projectos nos quais todos acreditamos. Eu acredito num projecto proposto por um Homem que veio ao mundo há 2000 anos e que fundou uma Igreja que o mantém presente no mundo até hoje.Esse Homem,que é Jesus Cristo,afirmou ser Ele o Caminho,a Verdade e a Vida.Por isso esse é o Caminho que procuro seguir, a Verdade em que acredito e a Vida que pretendo alcançar e viver.
Além disso, não concordo quando dizes que quem acredita numa Verdade não necessita de a criticar,de a por em causa. Mal iria a nossa Fé se em cada dia não colocássemos questões,não duvidássemos de qualquer coisa...Isso não seria Fé,com certeza.
Para mim ter Fé é um desafio constante,não é viver adormecido,acomodoado,parasilado pelo facto de acreditar. O facto de aceitar uma Verdade universal e querer viver de acordo com ela, implica efectivamente um desafio muito grande,tão grande como construir uma verdade construída por nós próprios.
Parabéns pelo teu comentário e força na tua busca pela v(V)erdade!
Um abraço
João Silva

Anónimo disse...

Peço desculpa pelo erro; quando disse «...tão grande como construir uma verdade construída por nós próprios.», queria dizer, tão grande como acreditar numa verdade construída por nós próprios.
Fica feita a correcção!
João Silva

The Doctor disse...

Isto ta uma merda... Kero ver kando vao fazer alguma coisa a serio????

Anónimo disse...

Caros SPSM, e João
Eu em momento algum disse que não era dificil acreditar numa verdade universal ou que não existem dificuldades para que se possa viver de acordo com essa mesma verdade.
Contudo, disse que era mais dificil procurar e construir uma verdade própria, pois como diz o Zé "Infelizmente aterroriza-me que certamente não a conseguirei encontrar".
Para quem acredita que o caminho é esse, o da verdade universal, a caminhada está mais facilitada pois, por muitos desafios que lance, por muitos obstáculos que se encontrem nesse trilho, é reconfortante saber que se segue o caminho correcto.
Mas é ainda mais dificil ter de procurar o caminho, ter de andar em busca do trilho certo, desconfiando sempre que esse poserá, infelizmente, não ser o caminho. A dificuldade está na necessidade de passar por muitas vias sem nunca saber qual delas a melhor. E, chegado o momento da descoberta, se alguma vez o houver esse momento, é preciso ainda trilhar esse caminho, enfrentar todas as dificuldades e ultrapassar as adversidades.
Eis para mim a justificação de dizer que a verdade própria é muito mais dificil que acreditar na verdade da igreja.
Sendo que essa dificuldade só se apresenta a quem decide mesmo procurar a verdade, e viver de acordo com ela.
Quem se contenta com a primeira verdade própria que encontra não descobrirá dificuldades.
Peço desculpa se tiver sido confuso, predispondo-me desde já esclarecer qualque duvida que eventualmente surge relativamente a este modesto comment.
Pedro Teles

Anónimo disse...

é verdade, já agora para quando a homenagem a ALvaro Cunhal, alguém, que foi sem dúvida, uma das figuras do séc. XX português?
Que lutou naquilo que acreditava, quando essa luta era proíbida!
Pode não se concordar com ele, considerar que foi um potencial tirano, mas era um verdadeiro crente na sua verdade.
Eu homenageio, desde já, Alvaro Cunhal pela sua coragem, nunca pelas suas ideias.
E já agora Portugal perde hoje um dos seus mais brilhantes jurista, alguém que estando preso, sendo contra o regime se licenciou em direito com uma média brilhante, 19 valores. Apresentando uma tese sobre o aborto que mereceu a aclamação de todos quantos ainda hoje são contra o aborto, pelo menos os que ainda estão vivos.
Espero não ser o único a homenagear o escritor Manuel Tiago, ou o lutador e político Alvaro Cunhal, que descanse em paz.
Pedro Teles

Sónia Monteiro disse...

Caro the doctor,
como já foi referido e como devia compreender, neste período é difícil fazer diariamente novos posts, para além do Blog Filtragens se encontrar, ainda, em crescimento!
Se tiver disponibilidade, vá visitando e, mais cedo do que o esperado, irá encontrar novos textos que lhe poderão agradar...ou não!
Já agora o que espera aqui encontrar, já que os posts apresentados o desagradam assim tanto?!
Agradeço desde já a sua participação, ainda que curta!

Sónia Monteiro disse...

Caro PT, as homenagens ficam feitas... ainda que por si! :)

Anónimo disse...

Spsm, a história diz-nos que é mais fácil acreditar numa verdade universal, do que procurar nós próprios a nossa verdade. Se tal não fosse , milhares e milhares de pessoas não estariam reunidos em torno de uma mesma crença. Tal se torna ainda mais visível quando falamos da religião Católica, uma religião muito mais fundada em mitos do que em reflexão filosófica, como é o caso de, por exemplo, o budismo, que envolve em si 5000 anos de reflexão filósofica. Numa perspectiva mais abrangente, a crença judaíco- cristã (entenda-se judeus e cristãos) conseguiu ao longo dos anos adaptar os seus moldes ao densenrolar das situações geo-culturais que encontrava, moldando ao mesmo tempo a tal verdade universal, que, para ti, é bem mais difícil de aceitar do que tentar compreender a metafísica por nós prórios. Se reparares, Deus começou por ser um deus guerreiro que apoiava a revolta dos judeus escravizados pelos egípcios na busca da terra prometida (um deus normal como qualquer outro no crescente fértil), uma vez alcançada a Terra prometida e implementadas as suas fronteiras, uma força irredutível abalou os judeus, Roma. Como os judeus não tinham hipótese de enfrentar Roma, este Deus guerreiro transformou-se num Deus que apelava à resistência pacífica e que os mandava esperar estoicamente pela chegada do Messias. Por esta altura ainda não entravam as figuras mitológicas que caracterizarão o catolicismo até aos nossos dias. Uma vez morto o Messias, os católicos continuaram a resistir na clandestinidade apelando ao amor ao próximo e ao pacifismo contra a violência dos romanos (outra maneira também não tinham de enfrentar o império, conveniente, não achas?). Muitas diferenças já tinha este Deus do anterior. Uma vez que o culto cristão foi permitido no império, o cristianismo teve de se adoptar a outra realidade: o pulular de figuras místicas e esotéricas que proliferavam por todo o império romano depois de este ser invadido pelos povos bárbaros ( não que antes esta imagem já não se afigurasse devido aos montes de figuras mitológicas que os romanos tinham). Assim o cristianismo encheu-se de especificidades características das culuras célticas e nórdicas. Essa é a razão porque cada aldeia tem o seu santo de devoção, essa é a razão porque se festeja o São João a 24 de Junho (este ritual da fertilidade já se realizava milhares de anos antes para festejar o solstício do Verão, e para que os espíritos tornassem o solo, os animais e as mulheres o mais férteis possiveis. Assim, de um Deus guerreiro regional (defensor do povo hebraíco), passamos a ter um Deus universal do amor e do pacifismo, que perdeu todas as suas características de introspecção e tornou-se num deus festivo(o exemplo é que os judeus ainda hoje rezam em silêncio e os cristãos gostam de exibir os seus pedidos - isto foi alvo de estudos antropológicos-). Alguns séculos mais tarde, Deus tornou-se outra vez guerreiro e serviu para ajudar a expulsar os infieis da Terra Santa e da nossa amada Península. Ao mesmo tempo que era guerreiro tornou-se perseguidor, já que no séc. XIII, para afastar a ameaça cátara do Sul da França e partes da Itália e Espanha, os dominicanos, com a autorização da Santa Sé criaram a Inquisição para os perseguir, e mesmo exterminar. A inquisição ganhou cada vez mais força e, com o Concílio de Trento, tornou-se aquela força que é a responsável pelo atraso cultural dos países do sul em relação os do norte e centro da Europa. Com o século das Luzes, reparou-se que esta Igreja não podia continuar e renasceu o bom Deus do amor e da tolerância, sendo esta a imagem que tem guardado, mais ou menos até aos nossos dias.
Esta, cara spsm, é a verdade universal que me foi e é dada a conhecer, como vez, não é assim tã o difícil de aceitar para os espíritos mais incautos. Se calhar, difícil é ver as coisas com outros olhos, ver quais são os verdadeiros obstáculos. Verdade das disposições e dos humores das pessoas, é talvez a verdade de muitos católicos(não querendo generalizar) que só se lembram da verdade quando a vida lhes corre mal, utlizando a igreja como escape para as suas acções.
Apesar de ter esta opinião, quiçá um pouco radical, continuo a achar que a religião (tal como disse o Dalai Lama) é sempre boa desde que nos ensine o bem.
Já agora, ficam aqui os pêsames por um homem que lutou por um Portugal melhor, goste-se ou não, tem de se aceitar os factos. Álvaro Cunhal lutou contra 40 anos de atraso culural e económico, 40 anos de perseguições ideológicas. Combateu Salazar e só isso já o engrandece. VIVA ÁLVARO CUNHAL

Anónimo disse...

Esqueci-me de assinar o último comment

Um abraço
José Castro

Anónimo disse...

Respondendo ao apelo dirigido pelo Pedro Teles,associo-me à homenagem a Alvaro Cunhal. Embora não comungue,de modo nenhum,com os seus ideais,fica aqui a minha homenagem a um dos homens mais notáveis do séc.XX, pela sua magnífica inteligência,pela sua coragem e determinação,nomeadamente na luta contra o regime autoritário e,acima de tudo,pela fidelidade aos seus princípios,independentemente de quais sejam.Que descanse em paz...
João Silva

Sónia Monteiro disse...

Este blog está cheio de «comunistas»... (lol)

Caro Zé Castro, vou tentar ser concisa:

1 - "religião Católica, uma religião muito mais fundada em mitos do que em reflexão filosófica" - Uma religião não tem que se fundar, no meu entender, em reflexões filosóficas(religião/fé # filosofia); por outro lado, a religião católica não se funda em mitos, ou consideras Jesus Cristo e tudo aquilo que ele disse um mito? A Igreja católica baseia-se também em Mistérios... "Felizes aqueles que acreditam sem verem (compreenderem)..."


2- "Se reparares, Deus começou por ser um deus guerreiro que apoiava a revolta dos judeus" - Se reparares, Este continua a ser o Deus dos Judeus, um Deus castigador e distante, uma vez que estes não acreditaram na Boa nova de Cristo.

3- "Como os judeus não tinham hipótese de enfrentar Roma, este Deus guerreiro transformou-se num Deus que apelava à resistência pacífica e que os mandava esperar estoicamente pela chegada do Messias." - Discordo completamente. Cristo, o Messias, veio a terra para anunciar a boa nova e explicar que Deus não era inclemente e distante, mas sim miseriordioso, bondoso... Jesus veio ensinar, por palavras e acções, como se deveriam comportar os filhos de Deus, o homem. Desde então, todos nós sabemos (ou deviamos saber) quem e como é Deus... A figura e o poder de Deus não muda consoante as circuntâncias ou o rumo de um povo. Sabes o que muda, caro Zé?! Mudam as pessoas e as suas disposições... Deus permanece sempre lá, as pessoas é que têm a liberdade de escolher ou não o caminho que as leva ao encontro Dele.
As coisas erradas que cá se passaram e ainda acontecem não resultam da culpa de Deus
mas da culpa e da acção dos homens, que fecharam os ouvidos àquilo à mensagem e Verdade de Cristo e deram ouvido apenas às suas verdades, ambições....


P.S: É "interresante" a tua análise da História, embora redutora de todo o simbolismo e essência cristã.

Anónimo disse...

Spsm; quem ler o que escreveste há-de pensar que os budistas, os hindus, os sikhs não têm fé! Pelo contrário, eles têm fé, e quem sou eu para dizer que não têm! A reflexão filosófica ajuda e serve para fundar a fé, para a tornar o mais verosímil possível! Se calhar não entendeste o que eu quis dizer em relação à dicotomia filosfia\religião.Ao dizeres que acreditas por acreditar, sem questionares a forma, o objectivo do que acreditas, estás, em parte, a comungar com o que sonhava Fernando Pessoa ao dizer que só gostava de ser um gato. Queria ser um gato para não ter de se preocupar com o objectivo da sua existência... assim não tinha tormentas! A bem-aventurança que enuncias pode-se considerar um cliché religioso, desculpa a frieza, muitas religiões têm de acreditar sem ver... Menos as religiões tribais que em muito as preparações dos seus xamãs contribuiam para visões, muitas vezes colectivas:)E é claro que a religião católica é feita de mitos. Mitos não no sentido perjorativo da palavra, mas no sentido académico (se assim lhe quiseres chamar)da palavra. Evidentemente a Igreja Católica tem mitos, tanto santo e santinho a pulular por essas terras a fora são mitos. Qualquer história que te é contada que ultrapassa a medida humana e entra no campo esotérico e místico, com uma tradição secular (ou até mesmo decanal no caso de Fátima)pode-se chamar de mito. O próprio Cristo é em si um mito. Tu acreditas que ele expulsou demónios, que curou cegos, coxos, etc.(ele efectivamente existiu, mas os milagres ultrapassam a condição humana) mas há biliões de pessoas que não acreditam e para muitas dessas pessoas que olham para as outras religiões sem ser com desdém mas respeitando-as, tratam essas figuras por mitos. Quando dizes se considero o que ele disse um mito... a Bíblia é fruto de uma tradição oral secular que os primeiros bispos da Igreja Católica decidiram passar a escrito. Está provado que os evangelhos não são só quatro. Havia uma Igreja no Egipto que dava pelo nome de Kopke (não sei se será assim que se escreve ao certo) que se regia por um evangelho diferente do que aqueles pelos quais se regia a Igreja Romana. Resultado: foram considerados hereges,perseguidos e torturados... Fica a pergunta: o que é que ele terá dito verdadeiramente?
Em relação ao teu segundo ponto, Deus é considerato infinitamente bom e misericordioso, pena que haja um bando de ranhosos a que chamam de judeus que têm de ser tratados com desdém por esse Deus que deveria ser bom e misericordioso... Há aqui uma incongruência no teu raciocínio, não? Assim estás a compartilhar da ideia que Deus é pai para uns e padrasto para outros.
Por último, Deus transforma-se ao longo dos tempos conforme as pessoas e as suas disposições. Sabes porquê? Porque a religião é uma criação humana, assim como a visão de Deus (visão entenda-se compreensão). Deus permanece sempre lá, as pessoas é que têm a liberdade de escolher ou não o seu caminho, como dizes. Se assim é, acho que não há razões para aderir a religiões, afinal elas são criações de homens e os homens falham, tem disposições, temperamentos, aproveitam-se das suas criações para fins que nem sempre são os melhores... afinal, que legitimidade é que esses homens têm para me dizer qual o caminho correcto? Por isso tento descobrir a minha verdade e não seguir um dogma qualquer que se lembram que tem de ser assim e ai de quem colocar questões!
À minha análise da História gosto de lhe chamar antes paradigmática do que interessante. Se quisesse conhecer História interessante e cheia de simbolismo cristão, tentava aprender história à boa maneira grega ou enclausurava-me na biblioteca da FacFil em Braga:)(tou a brincar!!)

Abraço
José Castro

P.S: Se orgulhar-me pelo meu país ter tido Homens comO Cunhal a lutar por um Portugal melhor, então chamem-me de comunista, apesar de não ser estalinista nem marxista-leninista, ser antes um socialista reformista. Avante Camarada

Anónimo disse...



Mais uma vez parabéns, o teu comment está brilhante.
Agora em relação ao teu p.s, é preciso lembrar que Alvaro Cunhal, para além de ter sido um grande lutador ani-fascista, um brilhante escritor e um bom jurista (pudesse ele dar aulas?), foi também um potencial ditador, comandou manifestações anti-democráticas, foi o pensador do PREC, permitiu que o país chegasse perto de uma guerra civil.
Por isso deixa-me que discorde de ti quando dizes que lutou por um Portugal melhor, o que ele quis foi simplesmente mudar uma ditadora fascista por outra comunista a exemplo das então chamadas "democracias populares" que pululavam pela Europa de leste, e da qual a URSS era o exemplo máximo.
Queria substituir o tarrafal por gulags, substituir a União Nacional pelo Partido Comunista Português.
Eis o motivo pelo qual não o considero assim um tão grande homemm, pois se as ideias dele tivessem vingado, e hoje tivesse sido o funeral de alguém ligado ao CDS, ao PSD, os mesmo ao PS, as pessoas que quisessem assistir ao seu cortejo funebre teriam sido impedidas, perseguidas e arrastadas para locais sombrios onde não teriam direito a ser ouvidos por um juiz, na presença de um advogado.
Por tudo isto volto a dizer, que descanse em paz, pois fracassou, que descanse em paz pois não é, nem nunca foi ele a mandar em Portugal.
Se ele tivesse saído vitorioso do 25 de Novembro de 75, hoje seria um dia de celebração, pelo menos para mim, o dia em que teria desaparecdio mais um ditador da face da terra.
Paz à sua alma, pelo que foi, mas nunca pelo que ele queria ser.

Pedro Teles

Sónia Monteiro disse...

Caro Zé,
1- quando digo que religião não é a mesma coisa que a filosofia, procuro indicar que a religião transcende os limites da filosofia. "Há razões que a própria razão desconhece"....
Se procurares conhecer um pouco mais da religião católica, e penso que o teu espírito aberto e humilde te permitirá esse desafio, verás que ela não se funda somente em dogmas, aos quais tu a queres reduzir para fundamentares a tua crítica.
Ao que parece também tu não percebeste o que eu quis dizer com o religião#filosofia!

2-Ao que tu chamas clichê religioso e xamãs, eu chamo de Fé.... não me vou estender em relação ao que significa a Fé pois, de certa forma, tu não irias entender....

3-Quanto ao Kople, desculpa a minha ignorância mas vou informar-me e depois debatemos... Como um bom aluno de Direito, deves saber que existe um princípio do contraditório e devem-se ouvir e conhecer sempre os dois lados!:)

4- Quanto à incongruência, ela não existe nas minhas palavras, pode é existir na tua imaginação ou na tua, citando-te, análise "paradigmática". Lembraste das últimas palavras de Cristo antes de morrer? (perdão). Este assunto, levar-me-ia a um comentário bastante longo.... Mas basta leres a Bíblia, sobretudo, o Novo testamento, que logo te aperceberás que a incongruência resulta do teu desconhecimento.

5- Ninguém te impõe o caminho, tu é que o escolhes! Ou já alguém te obrigou a escolher outro? Deus não é criação do Homem (quanto a isto, como gostas muito de filosofia lê Descartes "Princípios da Filosofia"), a Igreja já o é. E como instituição humana, não exijas que seja perfeita, pois não foi, não é e nem nunca será! A perfeição é divina!

P.S.: Zé, ao leres a Bíblia, se já o tiveres feito(espero que sim), não retires expressões/frases isoladas com o objectivo de as dissecar fora do seu contexto... Como sabes, todas as coisas têm o seu contexto e, por vezes, fora dele podem levar a entendimentos erróneos e precipitados! Por outro lado, a Bíblia, apesar de ser ainda um Livro extremamente actual tendo em conta a idade, refere-se a uma determinada época... Não te esqueças disso, são pormenores que, embora pareçam insignificantes, podem evitar precipitações!

Sónia Monteiro disse...

...E o ilustre Mário Soares soube muito bem aproveitar essa tão (des)conhecida pretensão de Álvaro Cunhal, não é caro Pedro Teles?

Anónimo disse...

Mário Soares ainda não morreu, depois disso poderás prestar as homenagens que quiseres cara sónia.
Quanto à vida de tão ilustre camarada, só tenho a dizer que foi ele quem nos livrou dos comunistas, nos tirou da guerra e nos colocou na UE.
Se bem ou mal, isso já é outra discussão, na qual não quero, para já, entrar.

Pedro Teles

Sónia Monteiro disse...

.... nem eu caro Pedro!Há coisas bm mais interessantes e importantes a tratar...

Anónimo disse...

Muito bem,caro Pedro Teles,pelo comentário em que relembraste quem foi verdadeiramente Álvaro Cunhal e o que procurou ele realizar em Portugal.É que apesar das qualidades que todos já referimos e que homenageamos,convém não esquecer que os seus ideais não eram,com toda a certeza, os melhores para o progresso e desenvolvimento de Portugal.
Reconhecendo a sua grande personalidade e vincado carácter, não o considero,de modo nenhum, um herói nacional.
João Silva

Anónimo disse...

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