segunda-feira, 8 de maio de 2006

Há uns dias li que apenas 1% das empresas em Portugal se encontram envolvidas directa ou indirectamente em projectos com as universidades portuguesas.

... PREOCUPANTE no mínimo! ASSUSTADOR para quem está prestes a terminar um curso!
Quando se diz que o futuro está na mão dos jovens, a questão é COMO?!

5 comentários:

Eins disse...

Ora aí está... mais um bom indicador de como a iniciativa privada vê a criação de emprego jovem, nomeadamente no que respeita aos recém-licenciados.

Numa análise benefício-custo, é mais que visto que o risco de empregar um recém-licenciado é claramente negativo na óptica do empregador, uma vez que este não considera os benefícios a médio/longo prazo do recrutamento de mão de obra qualificada. Ao invés, um "canudo" obriga a salários teoricamente superiores, e a promessa de progressão na carreira, motivo pelo qual se continua a estudar e não se vai trabalhar aos 18. E as empresas nem sempre vêm isso com bons olhos.

Fazer o quê? Obrigá-los?

Uma "provocação": se calhar, uma oportunidade, ainda que PRECÁRIA, como a que é dada com o ex-CPE francês, pode ser um empurrão para que o empregador perceba esses benefícios. O que eu quero dizer é que, se um recém licenciado agarrar a oportunidade com "unhas e dentes" e provar o seu valor, acrescentando qualidade à actividade da empresa, esta não hesitará, na sua lógica de maximização do lucro, de contratá-lo efectivamente. Mas isso é uma barbaridade...

Barbaridade ou não, procuram-se alternativas, tendo em conta que o governo está nas lonas...

Sónia Monteiro disse...

Acredito que possam haver mais alternativas, sem que tais onerem demasiado os jovens!

Nós por cá disse...

eins,
Comecei a ler o teu comentário e lembrei-me das tuas investidas a propósito do CPE.
Zás! E a provocação entrou.
Quanto ao post, Sónia:
"Bem-vinda ao mundo real!"
Onde as coisas acontecem, apenas.
Onde aquilo que os professores nas universidades afirmam como verdades absolutas não faz qualquer sentido ou é de difícil, se não impossível, verificação.
Ensaia reescrever o texto invertendo a ordem por que apresentas os actores.
Não são as empresas que têm de ir à procura das Universidades!
São estas que têm de descer à realidade e de ajustar-se em função das reais necessidades!
Enquanto persistirem no autismo em que têm vivido, as Universidades não justificarão um cêntimo do investimento que as tem sustentado.

Eins disse...

Sónia, repara... acreditar não basta. Concordo com o(a) nós por cá, e é um facto que as Universidades falham crónica e redundantemente na aproximação ao mercado de trabalho. Mas mesmo assim...

...mesmo com a melhor das aproximações, a iniciativa privada é, por definição, livre. E num contexto de recessão como o que vivemos, é provável que a "melhor das aproximações" não bastasse. E aí, Sónia, algo mais deverá ser feito, se se puder fazê-lo. E acreditar é bom e bonito, mas não serve.

Porque das duas, uma:
- ou há recursos para apoiar, e aí eu não digo que acredito, mas que exijo esse apoio por acreditar que é na qualificação do mercado de trabalho que se deve apostar para o crescimento sustentável de um país;
- ou não há recursos, e eu não acredito que eles caem do céu, portanto prefiro considerar as alternativas que realmente existem.

Sónia, talvez o teu "acreditar" seja no sentido de (e pegando na ideia do(a) nós por cá), ser possível mudar este cenário sem a intervenção governamental. Se as Universidades realmente se aproximarem devidamente do "mundo real", as coisas mudam de certeza. Se isso é suficiente ou não, uns podem acreditar, outros não. E aí eu já me coloco ao teu lado, Sónia. Também acredito. Mas...

...seja aqui ou em França, seja hoje, amanhã ou depois, ficar à espera que o Governo resolva as coisas como é mais bonito quando é cada vez mais claro que não há recursos para isso... é outro acreditar. E eu aí acredito em soluções, não em demagogia.

Sónia Monteiro disse...

Talvez, tenha razão caro nós por cá... Talvez as universidades tenham que abandonar esse tal "autismo"...
Talvez Bolonha permita essa mudança!
A questão que coloquei foi, sobretudo, o apontar de um problema que à medida que vou abandonando este mundo "autista" (como lhe chama) se tem vindo a tornar mais real e preocupante!