segunda-feira, 4 de julho de 2005

IMIGRAÇÃO

UM OUTRO PONTO DE VISTA PARA DIZER NÃO À AUSÊNCIA DE CONTROLO SOBRE A IMIGRAÇÃO….

O debate na nossa sociedade em torno do fenómeno da imigração é, de um modo geral, muito redutor pois choca com questões delicadas, onde muita gente tem medo de afirmar o que efectivamente pensa, sob pena de ser imediatamente julgado. E para confirmar esta ideia basta recordar o episódio novelesco que se desenrolou na Assembleia da República após Paulo Portas ter falado em políticas de restrição da imigração. Imediatamente se fizerem ecoar vozes discordando completamente do ex-líder do Partido Popular, chegando alguns políticos a comparar Paulo Portas com Le Pen…
O argumento de que os imigrantes vêm fazer o trabalho que os nacionais não querem fazer é bastante falacioso. O povo português nunca teve medo de trabalhar e pelo que se consta o desemprego nunca chegou a ser zero. Era bom que as pessoas só fizessem aquilo que gostam ou querem fazer!
Então qual o trabalho que abunda em Portugal e a que muitos imigrantes se sujeitam?
Resta-me concluir que o trabalho que existe em Portugal e a que se sujeitam os imigrantes ilegais é aquele onde as leis laborais são tudo menos respeitadas. Trata-se de um trabalho intensivo e com salários irrisórios, ao qual nenhum cidadão se deveria sujeitar. Trata-se de uma concorrência ilegal para aqueles que procuram uma justa remuneração pelo seu trabalho. Deste modo, muitos nacionais partirão para outros países em busca de melhores salários.
A imigração nestas condições é, segundo o que alguém e muito bem afirmava, “UMA TRANFERÊNCIA DE RIQUEZA DOS BRAÇOS DO TRABALHADOR IMIGRANTE PARA A CARTEIRA DO «EMPRESÁRIO» QUE O EXPLORA!”
Este problema do trabalho desencadeia um outro de igual gravidade. Estes imigrantes precisam de um local para viver. Será que o nosso mercado imobiliário lhes pode fornecer habitação a um preço que eles podem pagar? Não somos um país rico e não podemos garantir ou facilitar aos imigrantes o acesso a uma casa, quando isso já é inviável para os nacionais!
A maior parte destes imigrantes, como todos nós sabemos, recorrem aos nossos vergonhosos bairros, intensificando a estratificação social já existente e dando azo à formação de bandos delinquentes.
É preciso travar esta onda de imigração que ultrapassa o limiar da dignidade humana dos imigrantes.
Todavia, face a esta realidade há ainda quem diga: "Como é que nós, um país de emigrantes, podemos recusar a entrada a essas pessoas que escolheram o nosso país para tentar uma vida melhor?” Não se trata de recusar mas sim de evitar que se sujeitam às condições de trabalho desumanas que alguns empregadores exigem.
Muitos são aqueles que imigram para Portugal com a promessa de um contrato de trabalho digno e bem remunerado e quando chegam cá nada disso existe. Criando-se uma política de imigração restritiva, garante-se que todos possam ter a oportunidade de uma vida melhor, sem ter que se sujeitar a condições desumanas.
Portugal está numa posição geográfica ideal para controlar o acesso de imigrantes clandestinos. Estamos rodeados por mar em metade do nosso território e na outra metade fazemos fronteira com um país mais rico e desenvolvido.

Quanto às questões de acolhimento e inserção social conexas com a problemática da imigração, é preciso desenvolver projectos nacionais neste sentido.
A educação deve ser um dos pilares das políticas de integração. Ao formar os imigrantes e os seus filhos, o Estado contribui incomensuravelmente para que se sintam plenamente cidadãos tal como os demais, de modo a que se adaptem aos usos e costumes de uma terra nova.
As associações ou instituições privadas de solidariedade, também, devem ter um papel importante e activo este contexto.
No entanto, aqueles que se recusam a integrar na nova comunidade de acolhimento, quando todas as condições para o fazerem são oferecidas, e enveredam pela via da criminalidade para atingirem os seus fins, a estes devem ser aplicadas medidas especiais, nomeadamente uma viagem de ida para o país de origem.
Convém acrescentar que não é através de manifestações obtusas que se resolverão estes problemas associadas à imigração… A luta pela preservação da identidade nacional deve começar por nós mesmos e não pelos outros. Se estas mentes que se dizem ultra-nacioanais se manifestassem contra a indiferença que os próprios portugueses revelam pelo seu país e procurassem auxiliar aqueles que legal e justamente entram em Portugal, facilitando a sua integração e acomodação às regras e costumes do nosso país, estariam a ser mais coerentes com a aquilo que apregoam.

8 comentários:

Zwei disse...

o problema é a falta de fiscalização laboral, não são os imigrantes. a culpa é dos patrões, obviamente. esses patrões sem escrúpulos é q deviam ser "expatriados" para o pólo norte, ou para a prisão, q é mais perto...

achei piada àquilo q disseste q o povo português quer sempre trabalhar! nota-se! mas deu para rir um bocado... trabalho nunca faltou em Portigal, mas gente disposta a trabalhar. Em Portugal, sempre pareceu mal trabalhar.
E essa da "concorrência ilegal" tb dá bem para rir!... Parabéns pelo humor!

Sónia Monteiro disse...

"O povo português nunca teve medo de trabalhar e pelo que se consta o desemprego nunca chegou a ser zero. Era bom que as pessoas só fizessem aquilo que gostam ou querem fazer!" (Eis uma das frases que achou piada)
- Querer trabalhar, é diferente de ter que trabalhar... Deve concordar comigo quando digo que as pessoas não fazem só aquilo que querem?! Penso que também não discorda quando digo que há muitos portugueses que que não querem trabalhar mas têm que trabalhar?! Penso que a razão da piada foi mesmo ter considerado "querer" e "ter que" sinónimos...

"Em Portugal, sempre pareceu mal trabalhar.", diz no seu interessante comment.
- Esse Portugal de que fala não parece ser o meu Portugal, o mesmo em que vivo, muito menos o Norte de Portugal, região onde resido.Provavelmente estamos a falar de países diferentes...sabe-se lá!

Quanto à concorrência ilegal, a piada foi devido à falta de entendimento daquilo que escrevi?
Se foi esse o problema, eu esclareço: acha que os portugueses, ou mesmo alguém se deve sujeitar às condições que muitos patrões sem escrúpulos exigem? Não acha que as pessoas que infelizmente aceitam essas condições, por variadíssimas razões, não são mais procuradas e esses mesmos patrões não as empregarão primeiramente? Não acha que isto é "concorrência"? Competição? E se recordar que violação das leis laborais constitui uma "ilegalidade"... Juntando estas duas palavras temos concorrÊncia ilegal!

Gorf disse...

Cara SPSM,
Quanto a "concorrencia ilegal". Nao tente forcar um ponto que nao tem razao. A sua propria defesa a contradiz. Se as condicoes de trabalho a que os trabalhadores ilegais se sujeitam nunca seriam aceites por portugueses, entao o nunca haveria concorrencia... quanto mais ilegal...

Quanto ao post nao poderia discordar mais da sua opiniao. O problema da migracao engloba muitos aspectos. Mas a condenacao da imigrancao por "estar a roubar trabalhos portugueses aos portugueses" e, no minimo, xenofoba. As pessoas devem ser empregues consoante o seu merito! Ou nao acredita numa sociedade meritocratica? E, ou nao e, de direita? Entao nao acha que as pessoas que mais merecem sao as que devem ser empregues, nao acha que se elas aceitarem menos dinheiro em troca do seu trabalho melhor? isto e concorrencia pura. E a concorrencia traz excelencia. O que os portugueses devem fazer e treinarem para ser melhores e nao fecharem as fronteiras e dizerem, assim e que estamos bem, na nossa mediocridade.

Sónia Monteiro disse...

Caro Gorf,
Não devemos estar a falar das mesmas realidades de trabalho, o controlo de imigração de que falo não é a relativa aos imigrantes legais, licenciados e com um futuro mais ou menos orientado. A realidade de que falo é a dos imigrantes ilegais, que chegam cá sem qualquer projecto…
Passemos a um exemplo claro e frequente: um empreiteiro português tem dois trabalhadores, sendo que um deles aceita o trabalho de qualquer forma e sujeita-se a todas as condições pois tem a sua situação ilegal e, por isso, não consegue encontrar um trabalho digno e, do outro lado, temos um outro trabalhador que exige aquilo a que tem todo o direito... Perante estas condições, o empreiteiro escolhe o trabalhador que nada reivindica pois entende que terá muito menos gastos! O outro trabalhador se quiser o trabalho terá que aceita-lo “daquela forma” ou terá que emigrar...

Quando em falo em controlo à imigração, falo em protecção para os imigrantes e para os nacionais! Se pensar na protecção dos imigrantes e nacionais é algo xenófobo, então caro Gorf eu sou xenófoba!

Claro que acredito numa sociedade "meritocrática" mas caro Gorf terá que concordar que apesar de querermos e acreditarmos numa sociedade pautada pelo mérito, essa realidade é muitas vezes esquecida em Portugal e essa “concorrência pura” não passa de pura demagogia se acordarmos de facto para a sociedade que nos envolve.

Gorf disse...

Cara SPSM,
Irei responder-lhe por partes.
1 Parágrafo: Para prevenir a situação de que me fala não é necessário impedir a entrada de migrantes, basta aumentar a fiscalização. Encontrados imigrantes ilegais o que devemos fazer é conceder-lhes um visto de permanência de curto prazo. Findo o visto, se continuarem sem emprego devemos manda-los de volta para casa. Esta e a minha solução, penso que bem mais justa do que nem sequer lhes conceder a oportunidade.

2 parágrafo: Acha que para proteger os imigrantes deve pura e simplesmente barrar-lhes a entrada e deixa-los nas mas condições de vida nas quais eles se encontram? Proteger os imigrantes é legaliza-los (como expresso em cima, ou doutra forma qq), exactamente para não serem explorados pelos patrões que condena no seu texto. DAR-LHES UMA OPORTUNIDADE!

3 parágrafo: Eu acredito numa sociedade meritocratica. Penso tb que Portugal a excepção de algumas empresas pequenas, que não querem vencer, e a excepção de (quase) todo o sector publico, o mérito é promovido. Uma empresa, ou qq outra entidade, que não promova o mérito acabara por desaparecer/definhar. Alias, em analogia a Darwin, as mais fracas desapareceram na selva que o mercado é.

Concluindo, os imigrantes não são bichos papões! São pessoas como nos, que merecem tanto trabalhar como nos. Se trabalham mais e/ou melhor então merecem ser empregues. Não é por não serem Portugueses que não devem poder trabalhar em PORTUGAL!

Pedro Teles disse...

Este vai ser um dos meus comments mais curtos, simplesmente porque:
Concordo com gorf.

Sónia Monteiro disse...

Caro Gorf, as minhas férias inviabilizaram uma resposta rápida ao seu último comment.
Mas posso novamente responder-lhe e reafirmar aquilo que já lhe disse:
1- Quanto ao 1.º parágrafo a que se refere: parece que a solução que me apresenta só difere da minha porque eu defendo um controle à nascente e o caro Gorf defende um controle a poente. Entendo que os problemas devem ser desde logo resolvidos, evitando outras situações desagradáveis. Por outro lado, ao defender um controle a poente, isto é, permitindo a livre entrada de imigrantes, descura e parece repudiar os requisitos que SEF estabelece para os imigrantes.
2- “Dar-lhes uma oportunidade…” é uma frase uma pouco demagoga, a realidade não é assim tão cor-de-rosa. Qualquer pessoa pode ter uma oportunidade desde que respeite os requisitos pre-estabelecidos. E essa será uma oportunidade justa e LEGAL!

Concluindo, caro Gorf ninguém está a defender a expulsão dos imigrantes e ninguém aqui os considera bichos papões… Entendo que numa sociedade justa e meritocrática, como tanto defende, existem regras, leis que precisam de ser cumpridas e não descuradas, esquecidas ou banalizadas.

AgoraEu disse...

Cara SPSM,
Não a imaginava tão positivista. Ainda que faça o remate com o uso da expressão "E essa será uma oportunidade justa e LEGAL!".
Promover e/ou impôr a meritocracia não é demagogia nem tem nada que ver com a realidade ser ou não ser cor-de-rosa (uma deriva socialista?!).
Trata-se tão simplesmente de acabar com os clientelismos, compadrios e quejandos.
E isso só será conseguido quando tiver uma verdadeira concorrência também no mercado do emprego.