segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Outra vez: o perigo dos rótulos!

Nos tempos que correm, numa sociedade dita liberal, é vulgar sermos rotulados e rotularmos aqueles que nos rodeiam! Não será isso perigoso e castrador da individualidade e identidade?

Mas qual «geração rasca»?

Este fim-de-semana tive uma experiência social bastante enriquecedora, que me permitiu reflectir nalgumas "sentenças" que são proferidas "de cor" e porque "toda a gente assim o diz".
Ora, a expressão "jovens, geração rasca" é, hoje, na minha opinião, uma frase precipitada e completamente desfasada da realidade.
No contacto que, este últimos dias, pude ter com a sociedade em geral, desde crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, apercebi-me que os jovens são bastante mais sensíveis aos problemas da sociedade e às aqueles que vivem marginalizados, bastante mais atenciosos para com aqueles que os abordam e, sobretudo, mais educados.
Então, questiono: quem é afinal a tal "geração rasca"? Será que existe de facto? Ou será mais uma forma que nos desligarmos das responsabilidades que temos para com a sociedade, o meio onde vivemos? E, por sua vez, deslocarmos as "culpas" para os outros?
Sim, concordo que os jovens vivem hoje uma inércia que, de algum modo, se revela preocupante. Mas serão eles os únicos responsáveis? Não será, também, verdade que os outros, "os menos jovens", não se apercebendo dos "sinais do tempo", não conseguem compreender e cativar a juventude? Não estarão as instituições desgastadas, ultrapassadas, algumas quase moribundas e outras "apodrecidas"?
Dá que pensar!

1 comentário:

Aristotélico disse...

Eu não gostaria de defender o diabo, mas digo-te que o cliché, a frase-feita, o esteriotipo são um domínio do saber de certa forma válido para compreender a realidade... Ao estabelecer esse corte vertical, o esteriotipo torna-se uma estrategia de sobrevivencia que remonta a esse saber de experiencias feito. Quem somos nós para por seculos e seculos de tradição em causa? Durante toda a historia da humanidade as gerações mais velhas criticaram os costumes das anteriores. É um costume!
Por outro lado, penso, com que direito é que as gerações dos nossos pais nos acusa de inercia quando eles assistiram passivamente a 50 anos de ditadura fascista? Eles, que sao na maioria benfiquistas e usam ou usaram bigodes ridiculos, vestiram cores berrantes nos anos 80 e votaram no cavaco silva?!! Com que direito? Arre!!!