quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

A propósito de um comment sobre a laicidade de JAMC... JMS respondeu:

"...Considero, na verdade, que o Estado não deve professar qualquer religião nem privilegiar nenhuma em detrimento de outras. Mas deve, por outro lado, dar oportunidade a que todos possam professar livremente a sua fé, inclusive nas escolas e nos locais de trabalho. O Estado não deve ser contra a religião, não deve ver a religião como um inimigo mas deve, tendo em conta critérios de razoabilidade e proporcionalidade, procurar fazer uma integração das diversas religiões....
Dizes ainda que a religião deve ser vivida num plano individual. A minha não é, nem pode ser. A minha religião, a religião católica, só faz sentido se for vivida em comunidade, sem no entanto a impor a ninguém... As coisas já aconteceram e nunca se sabe se podem voltar a suceder. Na 1ª República, com o argumento de que a religião é uma coisa individual, perseguiam-se as manifestações públicas de Fé (nomeadamente as procissões), porque ofendiam aqueles que professavam outra religião ou que não professavam nenhuma. Hoje, felizmente, podem fazer-se procissões livremente, em locais públicos. Será que de futuro, em nome de uma suposta liberdade religiosa, certos grupos de pessoas não se sentirão ofendidas e não quererão proibir este tipo de manifestações?

Penso que a laicidade do Estado, ou seja, da organização político-administrativa de que falas, deve ser entendida de uma forma positiva e não negativa; isto é, em vez de se afastar a religião da vida político-social, dever-se-á criar condições para que todos posam viver e professar livremente a sua religião, individualmente ou em comunidade, isto porque o ser humano é um ser religioso, tal como é um ser social, um ser político… Assim o Estado permitirá que se respeite a liberdade de cada um, sem que ninguém fique ofendido..."


Concordo plenamente!
Não se pode dissociar a Religião do Ser Humano e o ser humano manifesta-se não só a nível individual como a nível social ... E este é de facto o sentido de uma correcta e coerente separação entre o poder temporal e o poder divino!
No caso português, importa ainda atender às raízes históricas e culturais que devem pautar esta divisão.


2 comentários:

Anónimo disse...

Cara SPSM

Acho que cada um deve viver a religião segundo o seu entendimento, e se é dessa forma, em comunidade que melhor te sentes com a religião, é isso que deves fazer.
Agora quanto a algumas manifestções, nomeadamente em escolas, de símbolos religiosos e afins que podem induzir as crianças a enverderarem por certo caminho religioso sou terminantemente contra. Se vivemos num Estado assumidamente laico não podemos permitir que as Escolas influenciem dessa maneira as crianças. Em tão tenra idade, sabes certamente que elas são influenciáveis e que não deve ser a escola a determinar essa decisão, que deve partir de cada um.
Por fim, acho que infelizmente o nosso Estado ainda não se encontra completamente desvinculado da Igreja (talvez devido a uma união de séculos tão "proveitosa" para ambos) o que é muito mau e claramente discriminatório em relação a todas as outras religiões.

Luiz disse...

totalmente de acordo com a SPSM