domingo, 22 de janeiro de 2006

[Acerca de uma Reportagem no JN de Sábado sobre os toxicodependentes, no Concelho de Famalicão, eis a resposta de alguns:]

"Prefiro andar a pedir que a roubar"

E que tal trabalhar??

8 comentários:

Eins disse...

Sabes que trabalhar não é uma opção: custa tempo e dinheiro (em impostos).

Pestana disse...

Ah pois... esses aí tambem nenhum empregador os quer... não são empregados dedicados...

de la Serna disse...

É triste... Mas, afinal de contas, tal como diz o pedro rodrigues, quem é o empregador que lhes dá trabalho? Também é uma maneira muito naïve tratar os toxicodependentes como simples perguiçosos que não querem trabalhar...temos de ver que eles efectivamente não podem trabalhar!!! Se pudessem trabalhar e a toxicodependência fosse um problema tão fácil de contornar como uma unha encravada no pé não teríamos a necessidade de CAT'S nem de serviços de psiquiatria dos hospitais a trabalhar para os recuperarem para a sociedade (ou a minimizar o inconveniente que eles causam à mesma, já que muitos nunca serão recuperáveis...)

Eins disse...

A frase "antes pedir que roubar" não é exclusiva dos toxicodependentes, a isso chama-se preguiça e dinheiro fácil. E se o problema fosse efectivamente falta de trabalho, não era esta a frase que certamente usariam. De qualquer forma, eu não daria emprego a um toxicodependente, por razões que me parecem óbvias, e não é uma questão de discriminação, mas antes qualificação. Não estão qualificados a serem pessoas sérias enquanto dependentes de algo que muitas vezes se supera à sua própria racionalidade e até vontade. Já um ex-toxicodependente é como um ex-recluso. Alguém que merece uma 2ª oportunidade porque já cumpriu a sua "pena", e que se admite "perdoado" pela sociedade (o que, aí sim, infelizmente não acontece).
Daí a colocar nos empregadores qualquer responsabilidade (mesmo ÍNFIMA) sobre o facto de os toxicodependentes não terem trabalho vai um longo caminho.
Deve haver respeito por quem, ao procurar o lucro e a produtividade da sua empresa, contribui com riqueza para o país. Não deve impingir-se a quem quer que seja (nem mesmo ao Estado enquanto entidade empregadora) a contratação de mão de obra não qualificada para trabalhar, que poderá por em causa o funcionamento e rentabilidade do negócio. Não se é toxicodependente por acaso, azar ou imposição. Já é tempo de acabar com esta moda de desresponsabilização das pessoas e dos seus actos, colocando em terceiros a "obrigação" de resolver as consequências desses mesmos actos. É absurdo.

de la Serna disse...

Ninguém põe em causa o facto dos patrões quererem lucro para as suas empresas, nem acho que se deva impingir aos patrões a contratação de toxicodependentes, nem que estes tenham responsabilidades na taxa de desemprego entre os toxicodependentes:)! Ninguém fala também em desresponsabilização das pessoas e dos seus actos... somente que vivemos em sociedade. A exclusão de indivíduos desta não traz benefícios a ninguém, antes pelo contrário! Com a exclusão,aí sim teríamos cada vez mais problemas com a marginalidade (assaltos, mendigagem...). E porquê? Porque eles devem ser responsáveis pelos seus actos e ninguém tem nada a ver com isso, mesmo que uma bela percentagem da população beneficie com a economia paralela que o tráfico de droga e afins porporciona...

de la Serna disse...

Onde escrevi mendigagem podem substituir por mendicância ou mendicidade... erro meu eheheh!!

Sónia Monteiro disse...

eheheh!:)
Pondo agora de parte as brincadeiras, não poderia deixar de concordar, mais uma vez, com o que Eins escreveu!
JAMC, o princípio "casum sentit dominus" não te diz nada? Princípio básico da responsabilidade civil?! E olha que acho que não consegues, nestes casos, transmitir a responsabilidade para os outros (mais propriamente os empregadores).
As pessoas têm que assumir as consequências dos seus próprios actos... O Estado não pode e nem sequer consegue ser responsabilizado por isso. No entanto, existe um dever-moral de melhorar a sociedade de forma a garantir o bem comum e a harmonia! E ao que eu sei, existem muitas isntituições de apoio a estes que se auto-excluem da sociedade.... E aliás estes privados egoístas (de que tu falas), que só se preocupam com o lucro,l também têm iniciativa e criam instituições de apoio social, olha lá tu!!!

de la Serna disse...

SPSM, antes de fazer um comment com as acusações que fazes devias tentar primeiro perceber o que eu escrevi, depois acusar-me de algo com fundamento. Assim não caias no erro de tentar adivinhar se eu acho que os privados são egoístas ou não, se eu acho que se deve transmitir a responsabilidade dos toxicodependentes nos seus actos para os outros e não levavas a discussão para o campo da intervenção do Estado na sociedade e a sua substituição por privados... pois é aí que queres chegar. Neste sentido tás a falar pelo que conheces de mim e não pelo que eu escrevi... e mesmo assim não conheces realmente o que eu penso!
Beijinhos Dona spsm :))