domingo, 19 de março de 2006

[Dá que pensar...]
A morte, sobretudo em determinadas circunstâncias, pode ter, por vezes, efeitos fantásticos: consegue tornar um ditador, um perseguidor, um opressor, num mártir, num herói em defesa da liberdade, da autodeterminação dos povos... Como já aconteceu, também, agora a história parece repetir-se (por incrível que pareça)!!!

7 comentários:

de la Serna disse...

Sónia, não resisti a comentar!! Em relação a Milosevic, o homem não está a tornar-se um ícone, (e espero bem que não se torne!!!).Quem mata os seus em nome de um suposto bem nacional não merece honras de ninguém, um pouco como se passou em Portugal (Salazar também matava os opositores às suas ideias e mesmo assim ainda tem quem lhe preste alvíssaras...). O mesmo parece que se está a passar com Milosevic.

Já em relação a Che Guevara... Bem... Primeiro tens de seleccionar melhor as tuas fontes. Um blog que faz um post acerca dele com base numa notícia do New York Times... (basta olhar para a nacionalidade do jornal e está tudo dito). Além do mais esqueces-te de analisar o tempo e o local em que Che Guevara viveu (América do Sul e regimes fascistas apoiados pelos EUA por tudo quanto é lado não dirá nada a ninguém? É que a mim diz-me... mas se calhar sou eu que não devo saber ver muito bem as coisas)

Mesmo tendo morto pessoas, que outra maneira havia de fazer a revolução? Acho que ele devia ter chegado a Cuba e ter dito: "Sr. Fulgêncio Batista, faça favor de mexer o belo do seu rabo ditatorial de Havana para fora que agora é a vez do meu amigo Fidel sentar o dele, mas se quiser nós podemos esperar um pouqinho nas montanhas enquanto você faz das suas aos cubanos pela última vez!"

Ele era terrorista, mas os governos sul-americanos não o eram, eram santos! Coitadinho do Pinochet, ele até deve ter enchido o estádio Nacional em Santiago do Chile para matar milhares de pessoas somente com o intuito de controlar a natalidade da população chilena! É que caso não saibas também há terrorismo estadual, o terrorismo não é só perpetrado por organizações mais ou menos secretas. E sejamos directos, racionais e pragmáticos, a tirania não se vence resistindo estoicamente (a menos que haja petróleo nesse país para os Estados Unidos fazerem o papel de heróis e salvadores providenciais do mundo), vence-se lutando, com todas as consequências que daí advêem.

Por isso e por muitas mais coisas que se poderiam escrever aqui (mas que podem provavelmente ficar para outra altura), não compares situações que não são comparáveis e começa a escolher melhor as tuas fontes. Senão qualquer dia corres o risco de escrever um post no filtragens que comece com coisas do tipo "os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço!!".

Kordny disse...

Em primeiro lugar, é triste ver os milhares de pessoas que saíram à rua na Sérvia para prestar a última homenagem ao seu maior ditador, acusado, e provavelmente culpado, de crimes de guerra e atentados aos direitos humanos do seu povo.

Em segundo, as comparações a Che Guevara são realmente, por muito que se possa achar que as situações têm muito em comum, as diferenças são demasiadas para que tais comparações façam sentido. E como quem comentou antes afirmou, o clima vivido na América do Sul na época não permitia outro tipo de oposição credível e eficaz. Que eu saiba, ninguém acusou a URSS e os EUA por matarem os nazis de modo a por fim ao holocausto. E um país sem qualquer tipo de imparcialidade como os EUA não pode ser tido como ponto de referência, se quisermos ser racionais. Quando Pinochet subiu ao poder, Salvador de Allende morreu na resistência que se obrigou a fazer enquanto era, literalmente, bombardeado. Suicídio? Acreditem os que acreditam no Pai Natal. Passado uns meses, Pablo Neruda, poeta do país, alma maior da poesia contemporânea, e meu grande ídolo, morre. Morte Natural? Não desgosto. E assim reza a morte de um país às mãos dos interesses dos grandes, que neste caso são os EUA, mas que fosse que país fosse, seria sempre de condenar. Quem quiser defender o status quo e os poderes instalados que o faço. Eu cá, pequenino, insignificante, prefiro manda-los pra puta k os pariu.

Em último caso, os parabéns pela referência à tristeza do que se passa na Sérvia estes dias.

Pedro Teles disse...

Cara Sónia decerto vais me perdoar a comparação, mas Che Guevara foi tanto um terrorista como qualquer outro lider, tal como Salazar, Marcello Caetano ou mesmo os descobridores portugueses e os conquisadores espanhois e muito scontinuam a ver estes como icones.

Sónia Monteiro disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Sónia Monteiro disse...

Tenho uma certa dificuldade, quando passeio pelo "mercado" em encontrar T-shirts ou posters de homenagem a qualquer um desses líderes/ditadores que apontas...

Pedro Teles disse...

De cortez, gama, albuqerque? não estão em t-shirts, estão em notas, em pontes em ruas... parafraseando uma expressão que todos conhecemos, só não vê quem não quer...

Anónimo disse...

Concoro em pleno com a SÓNIA... O Che é o maior..!!!!! Abraço Sónia....